História

A história do Grupo no Brasil é, na verdade, a soma das histórias de duas empresas – a Rhodia e a Solvay – que desenvolveram trajetórias independentes até 2011, quando, globalmente, as duas organizações se uniram. Nasceu então um novo Grupo Solvay. No Brasil, a força da marca Rhodia fez com que ela fosse mantida no país.

1919 – A criação da Rhodia

A história da Rhodia no Brasil começa em19 de dezembro de 1919, quando a Societé Chimique des Usines du Rhône formalizou, na sede do consulado brasileiro em Paris, na França, a constituição da Companhia Chimica Rhodia Brasileira. O objetivo era construir uma fábrica para produzir no Brasil o lança-perfume. Lançado no final do século XIX, ele chegava aqui por intermédio de importadores e fazia enorme sucesso nos carnavais brasileiros desde 1907. Em 1909, a importação já atingia 630 mil unidades. 
 
A construção da primeira fábrica da Rhodia teve início em fevereiro de 1920, em um terreno de 44 mil m2 entre o Rio Tamanduateí e a Estrada de Ferro da São Paulo Railway Company, que ligava o Porto de Santos a Jundiaí (SP), hoje município de Santo André. A produção começou em 1921, com as primeiras linhas de cloreto de etila, éter e ácido acético. Em 1922, os foliões já curtiam o Carnaval com o lança-perfume made in Brazil. Pouco tempo depois, em 1924, a empresa iniciou também a fabricação de seus primeiros produtos farmacêuticos.

1929 - Início da atividade têxtil

Em 1929, a Rhodia implantou sua primeira atividade no setor têxtil: a Companhia Brasileira de Sedas Rhodiaseta, para produzir fio de acetato de celulose. De maneira ousada e pioneira, passava a oferecer fios artificiais num mercado que, à época, girava em torno dos fios naturais, principalmente o algodão.
 
Em 1931, a fábrica entrou em operação, produzindo o fio acetato, a chamada “seda artificial”. Esse foi o embrião da atual Unidade Têxtil de Santo André. De início, a novidade não foi muito bem-aceita pelo mercado, mas a Rhodia estava decidida a iniciar uma nova era no têxtil e não demorou a dar o passo seguinte: em 1935, foi instalada em Santo André uma unidade da Valisère, a primeira da grife francesa de lingerie em território estrangeiro. A Valisère foi decisiva para desbravar o mercado do fio acetato. A empresa integrou a Rhodia até 1986, quando foi vendida. 

Anos 1940 – A chegada da Solvay

Fundada em 1863 na Bélgica, a Solvay já tinha se espalhado por vários países do mundo quando aportou no Brasil, em 1941, com o nome Indústrias Químicas Eletro Cloro. Escolheu o município de Santo André para construir a fábrica que entraria em operação sete anos depois, produzindo soda, cloro e hipoclorito de sódio, itens usados como desinfetante, alvejante industrial, no tratamento de água e na fundição de vidro.  No então distante e isolado quilômetro 38 da estrada de ferro Santos-Jundiaí, nos entornos da fábrica, foi surgindo um vilarejo, a Vila Elclor, onde moravam funcionários e onde foram nascendo pequenos comércios, escola, igreja e até um time de futebol.
 
Enquanto isso, a não muitos quilômetros de distância, a Rhodia enfrentava desafios. Os reflexos da Segunda Guerra Mundial, com os bloqueios no litoral brasileiro, dificultaram o abastecimento de álcool, matéria-prima que vinha por navio do Nordeste, fundamental para a produção de derivados acéticos em Santo André. A estratégia da Rhodia para enfrentar o desabastecimento foi produzir seu próprio álcool. Em dezembro de 1942, comprou a Fazenda São Francisco, próxima a Campinas, onde plantaria cana para fazer o álcool.
 
A primeira safra foi colhida em junho de 1944 e, algumas semanas depois, a Rhodia já podia operar suas fábricas de Santo André usando álcool de sua própria destilaria. Mais tarde, a fazenda trocaria a atividade agrícola para tornar-se um dos mais importantes complexos industriais da Rhodia e do setor químico no País.
 
Com o fim da Guerra, o Brasil retomou sua caminhada de desenvolvimento. E a Rhodia apostou firme nessa nova era de crescimento. Em 1945, a empresa adquiriu a Indústria Brasileira de Óculos e Lentes, que seria o embrião da Unidade de Plásticos de Engenharia. Em 1948, a unidade passou produzir componentes por injeção em acetato de celulose. 
 
Em 1946, foi criada a Companhia Rhodosá de Rayon, em São José dos Campos (SP), para produzir rayon viscose. A operação da fábrica começou em 1949. 
 
Nesse mesmo ano, em Santo André, a empresa começou a fabricar penicilina cristalizada, o mais eficiente antibiótico até então desenvolvido pela indústria farmacêutica. 

Anos 1950 – Ampliando o leque de negócios e produtos

Em 1954, a Solvay (ainda com o nome Eletro Cloro) estreou em um novo mercado, o de plásticos. Passou a fabricar PVC (policloreto de vinila), inicialmente a partir da matéria-prima acetileno e duas décadas mais tarde a partir do etileno petroquímico. A atividade seria reforçada em 1959 quando a empresa assumiu o controle acionário da Plásticos Plavinil, uma das maiores produtoras de laminados e filmes de PVC da América Latina.
    
A Rhodia, por sua vez, deu mais um importante passo para fortalecer sua presença no mercado têxtil: em 1955 lançou os fios e fibras sintéticas de nylon, usadas inicialmente na confecção de meias femininas que viraram o must da moda da época, além de maiôs e roupas profissionais. Dois anos depois, o nylon se estenderia a outro território, com a fabricação do fio industrial, usado principalmente na produção de pneus. Em Paulínia, começavam os primeiros passos que transformariam a fazenda num complexo industrial, com várias produções, entre elas fenol, solventes, intermediários de poliamida e sílica. A primeira foi a de acetato de vinila, que entrou em operação em 1958.

Anos 1960 – Pioneirismo na moda e nos plásticos

Para a Rhodia, os anos 1960 foram marcados por importantes investimentos para difundir o uso dos fios e fibras sintéticas que já fabricava e os que se somariam ao portfólio, como o poliéster, lançado em 1961, e o acrílico, em 1968. 
 
No começo da década, a empresa lançou-se num projeto ousado: criar uma moda brasileira. Batizado de Seleção Rhodia Moda, o projeto somou produtos e tecnologias, arte, criatividade e um estilo todo brasileiro de ser, levando as coleções aqui produzidas para passarelas internacionais. França, Itália, Portugal, Espanha, Estados Unidos e vários outros países entraram no circuito da Seleção Rhodia Moda, despertando entusiasmo e admiração nas platéias estrangeiras. 
 
Esse foi o início de um conjunto de ações pioneiras que se estenderiam ao longo dos anos. A Rhodia investiu na formação da carreira de manequim, que não existia até então, na consolidação das revistas especializadas em moda e em produções memoráveis, como os inesquecíveis desfiles-show na Feira Nacional da Indústria Têxtil (Fenit). A íntima relação da Rhodia com a moda brasileira se mantém até hoje, por meio da constante inovação em seus produtos e das parcerias com estilistas e tecelagens.
 
A Eletro Cloro, por sua vez, desfilava seu pioneirismo longe das passarelas: em 1962 tornou-se a primeira indústria da América Latina a produzir o polietileno de alta densidade (PEAD), usado em diversas aplicações, entre elas embalagens, utensílios e tubulações. Outro movimento de expansão viria dois anos depois, com a aquisição da Companhia Brasileira de Carbureto de Cálcio, empresa do setor de ferro-ligas.
 
A Rhodia também trilhava caminhos de expansão. Em 1961, criou em Paulínia a Estação Agrícola Experimental, onde eram realizadas pesquisas e ensaios com defensivos agrícolas. Em 1966, instalou-se no município de Cabo de Santo Agostinho (PE), com uma fábrica para produção de poliéster. Em 1967, iniciou em Santo André a produção de cabo acetato (filter tow), utilizado na fabricação de filtros de cigarro. Em 1968, começou a fabricar os polímeros de nylon 6.6, base dos plásticos de engenharia Technyl que, nos anos 70, já revolucionavam aplicações nos setores de automotivo, eletroeletrônico e de bens de consumo. Em 1969, nasceu a Rhodia Mérieux Veterinária. 
 
A década foi marcada ainda pelo lançamento do programa de Estágio e Trainee, um dos pioneiros no setor químico.

1970 – Diversificação em pauta

Associando-se ao grupo nacional Produtos Químicos Makay e à britânica Laporte, o Grupo Solvay fundou, em 1970, a Peróxidos do Brasil, empresa voltada à produção de peróxido de hidrogênio, uma matéria-prima com aplicações em vários setores, entre eles, celulose e papel, agricultura, couro, tratamento de água, esgoto e efluentes. A primeira unidade, em Santo André, entrou em operação em 1974, seguindo-se uma nova unidade em 1978. Uma década depois, em 1988, lançou a fábrica de Curitiba, que hoje centraliza toda a produção de peróxidos de hidrogênio para abastecer Brasil e outros países da América Latina.
 
Os negócios globais do Grupo também ajudariam a impulsionar os novos negócios aqui. Em 1979, a Solvay mundial comprou a norte-americana Salsbury Laboratórios. Fabricante de produtos veterinários, a Salsbury tinha atividades em vários países, Brasil entre eles. Aqui, o negócio ganhou mais força na década seguinte, com a inauguração, em 1984, de um moderno laboratório de produtos biológicos.
 
Também na Rhodia, os anos 1970 foram tempos de diversificação, com o início da produção, em Paulínia, do fenol, que é a base da cadeia nylon. O produto e seus derivados têm um leque enorme de aplicações: resinas fenólicas, isolantes automobilísticos, tintas, vernizes, etc. Ainda em Paulínia, foi criada a Rhodiaco, para produzir, na área química, as matérias-primas necessárias ao desenvolvimento de seu setor têxtil; e lançada uma unidade de sílicas, matéria-prima utilizada em pneus e artigos técnicos de borracha, solados de calçados, alimentos e dentifrícios, dentre outras aplicações. Santo André diversificou suas atividades passando a fabricar, em 1977, silicone, material com aplicações que vão de cosméticos e produtos farmacêuticos até construção civil. 
 
A inovação também estava na agenda da Rhodia que, em 1975, implantou seu Centro de Pesquisas em Paulínia.

1980 – Portas abertas, um novo modelo de relacionamento

Os anos 80 começaram sob o signo do segundo choque do petróleo, ocorrido em 1979. Para a Rhodia, porém, essa não foi uma "década perdida", expressão usada para definir o adverso contexto econômico do período. 
 
Em 1980, entrou em operação, em Paulínia, a fábrica do bisfenol epóxi. Em 1981, foi fundada a Rhodia Nutrição Animal, com unidade na Bahia voltada à produção de metionina, aditivo para alimentação animal. As aquisições também estavam em pauta. Em 1984, a Rhodia comprou a Celanese, que produzia fios têxteis e fio tapete em São Bernardo do Campo (SP). Em 1985, adquiriu Companhia Nacional de Defensivos Agrícolas, atividade reforçada em 1986 com a compra da divisão de defensivos agrícolas da Union Carbide. 
 
Foi também nos anos 80 que a Rhodia assumiu uma nova postura no País. De empresa fechada e desconhecida do grande público, transformou-se em uma organização de "portas abertas", adotando um Plano de Comunicação Social que revolucionou a relação empresa-sociedade. Entre outras iniciativas, a empresa implantou o Departamento de Valorização do Consumidor, abrangendo todas as suas áreas de atuação, e criou a figura, até então inédita, do ombudsman.

Anos 1990 – Aquisições, parcerias e uma marca mundial

Novas estruturas e modelos de negócios movimentaram a Solvay e a Rhodia no Brasil ao longo da década. 
 
Em 1994, a Rhodia constituiu uma joint venture com a Celbrás, formando a Rhodia-Ster, focada na produção de poliéster, atendendo a diferentes mercados com resina PET, não-tecidos, filmes e fibras de poliéster. No ano seguinte, associou-se à Hoechst, criando a Fairway Filamentos, para a produção e comercialização de filamentos de nylon e poliéster. A associação foi desfeita no final de 1998, pela reorganização estratégica das matrizes das duas empresas, e a Rhodia assumiu a parte de nylon têxtil e industrial. Ainda em 1998, chegava ao mercado a marca Amni, com uma família de fios inovadores para os mais diferentes segmentos da moda. 
 
A Solvay também vivia um período de novidades no Brasil. A Indupa S.A.I.C., empresa da Argentina que desde o ano anterior tinha o Grupo Solvay como sócio majoritário, adquiriu, em 1997, os negócios de PVC, compostos de PVC e químicos da Solvay do Brasil S.A. No ano seguinte, o Grupo se reestruturou no País e adotou a nomenclatura Solvay em todos os seus negócios no Mercosul. O negócio polietileno virou Solvay Polietileno Ltda. e duas novas empresas foram criadas: Solvay Indupa do Brasil Ltda. e Solvay do Brasil Ltda. 
 
A nomenclatura Rhodia também estaria envolvida em surpreendentes novidades. O nome Rhodia – até então restrito às atividades do Grupo Rhône-Poulenc no Brasil e na Alemanha – ganhou dimensão global. Com a reorganização da companhia em nível mundial, Rhodia foi o nome escolhido para batizar a empresa que surgia congregando as atividades de Química e Fibras e Polímeros.

Anos 2000 – Negócios para o novo século

A Solvay encerrou o século XX com novas aquisições e parcerias. Junto com a brasileira Dacarto, criou a Dacarto Benvic, empresa dedicada à fabricação de compostos de PVC.  No mesmo período, o Grupo adquiriu os Laboratórios Sintofarma que, em 2002, passou a se chamar Solvay Farma. Era sua estreia no segmento farmacêutico no Brasil. Em 2005, o investimento é em marca: em conformidade com alinhamento mundial, seu portfólio de resinas de PVC também passa a adotar o nome Solvin tanto no Brasil como na Argentina. 
 
Sustentabilidade é outro destaque da década. Em 2007, foi dada a partida, na Rhodia de Paulínia, de uma unidade de abatimento de gás de efeito estufa – um dos maiores projetos do gênero do mundo –, permitindo à empresa a venda de créditos de carbono no âmbito do Protocolo de Kyoto. Do lado Solvay, em 2008, a Solvay Indupa foi a primeira empresa do Polo Petroquímico do ABC a vender créditos de carbono no âmbito do Protocolo de Kyoto. A redução da emissão média de 42 mil toneladas anuais de gases de efeito estufa rendeu 1,4 milhões de dólares à empresa. Os créditos foram adquiridos devido à substituição de óleo combustível por gás na alimentação das caldeiras e fornos de pirólises na fábrica de Santo André. 
 
A década foi marcada ainda por relevantes inovações que o Grupo Rhodia trouxe para o Brasil, como a nova geração de sílicas de alta dispersibilidade HDS, destinadas à fabricação dos chamados “pneus verdes”, que reduzem o consumo de combustível e a emissão de gás carbônico (CO2). No têxtil, um revolucionário fio inteligente desenvolvido no Brasil chegou ao mercado: Emana, com propriedades que melhoram a microcirculação sanguínea e ajudam a reduzir os sinais da celulite. Outra inovação brasileira veio em 2009: Augeo, uma família de solventes produzidos a partir da glicerina, uma fonte renovável. 
 
Em 2010, em mais uma iniciativa sintonizada com a sustentabilidade, a Rhodia une-se à Usina Paraíso para lançar, em Brotas (SP), uma unidade de geração de energia a partir do bagaço da cana-de-açúcar.
 
Para além dos negócios, a década marca a criação, em 2007, do Instituto Rhodia, entidade sem fins lucrativos que passa a centralizar e responder pela gestão estratégica dos recursos destinados às iniciativas sociais da companhia. 

2011 – Começa uma nova era

As histórias dessas duas organizações com matrizes na Europa e com bem-sucedidas trajetórias no Brasil tornam-se uma única história a partir de 2011, quando a belga Solvay adquiriu a francesa Rhodia para criar uma nova Solvay. No Brasil, o Grupo decidiu manter a marca Rhodia, num reconhecimento à sua força no país. Foi um caso único em todo o mundo.
 
Assim, uma nova era se inicia na segunda década do século XXI, e a trajetória de crescimento no Brasil prossegue, como mostram as aquisições, em 2014, dos ativos da Erca e da Dhaymers, fabricantes de especialidades químicas. A inovação tem novos capítulos, como o lançamento de Amni Soul Eco, primeiro fio biodegradável de poliamida. Outras inovações, especialmente as inspiradas em sustentabilidade, seguem sendo semeadas nas pesquisas da companhia e em iniciativas como a criação da SGBio, joint venture com a empresa brasileira de biotecnologia GranBio, para o  desenvolvimento da tecnologia de produção do biobutanol a partir de palha e bagaço de cana-de-açúcar. O propósito do Grupo é construir a química do futuro. Suas operações no Brasil são parte importante dessa obra.