Projeto Fazenda São Nicolau

Dentre as mais de 10,8 mil iniciativas para a compensação de carbono levantadas, a Rhodia escolheu a Fazenda São Nicolau, um projeto de Florestamento, Reflorestamento e Revegetação (ARR, na sigla em inglês) implantado no município de Cotriguaçu, no noroeste do estado do Mato Grosso. É uma região do chamado arco de desmatamento da Amazônia, onde a floresta original vem dando lugar a imensas áreas de pasto para criação de gado e à monocultura da soja, com impactos ao meio ambiente e à biodiversidade. 

Além das áreas de reflorestamento e preservação que contribuem para combater as mudanças climáticas e, paralelamente, favorecem a biodiversidade, a Fazenda São Nicolau é um campo de iniciativas que semeiam, pelo exemplo, positivas transformações socioambientais e culturais em uma região onde a floresta em pé ainda é vista como inimiga do desenvolvimento. 

O projeto foi criado em 1998 a partir de parceria entre a Peugeot e o Office National des Forêts (ONF), organização francesa de origem multicentenária, especializada no plantio e manejo de florestas sustentáveis. A Fazenda pertence à Peugeot. Atualmente a sua gestão é da ONF Brasil.

A fazenda em números:

  • 10.827 hectares de área total
  • 7.165 hectares de floresta nativa 
  • 1.974 hectares de área de reflorestamento
  • 2.500.000 mudas de árvores plantadas (50 espécies nativas e 2 exóticas)
  • 1.000.000 de toneladas de CO2 serão absorvidas até 2038
  • Até 2020 já tinham sido absorvidas 394.400 toneladas de CO2
  • 40 novas espécies de animais encontradas e catalogadas na área de fazenda
  • + de 2.000 espécies da fauna habitam o lugar

 Fazenda_Sao_Nicolau_2Foto: ONF Brasil/divulgação 

Confira as atividades da Fazenda São Nicolau

Reflorestamento - Poço de Carbono Florestal (1.974 ha)

É a área de reflorestamento que gera os créditos de carbono.  Entre 1999 e 2004 foram plantadas 2,5 milhões de mudas de espécies nativas. À medida que crescem, as árvores retiram moléculas de carbono da atmosfera a partir do processo de fotossíntese. A expressão poço de carbono (ou sumidouro de carbono) refere-se ao fato de o carbono ficar estocado nas árvores, gerando os créditos que são certificados pela empresa Verra com base na metodologia Verified Carbon Standard (VCS).

Área de Manejo Florestal/AMF (5.350 ha)

Dividido em subáreas chamadas Unidades de Proteção Anual (UPAs), nesse segmento ocorre o manejo madeireiro sustentável, com respaldo de metodologias técnica e cientificamente validadas. Parte da madeira é extraída e comercializada contribuindo com a geração de receita para manter as atividades do projeto. Depois, essas áreas são deixadas em recuperação para a completa regeneração vegetal. 

Reserva Particular do Patrimônio Natural/RPPN (1.815 ha)

É uma área de floresta intocada, e intocável, com o objetivo de conservação da biodiversidade. Nenhum tipo de atividade econômica, mesmo que sustentável, é permitida. Em algumas áreas, até visitas são vetadas. A RPPN tem caráter permanente, ou seja, esse status permanece mesmo em caso de venda do terreno.

Áreas de Preservação Permanente/APP (120 ha)

São áreas ao redor do Rio Juruena (no limite leste da fazenda), de nascentes, córregos e encostas degradadas que já foram recuperadas com plantio de mudas nativas.

Outras áreas (972 ha)

Clareiras, construções e áreas comuns da fazenda: sede administrativa, alojamentos, refeitório, auditório, curral, horta, laboratório, oficina, escritório, poço de água, galinheiro etc. 

     

    As outras faces do projeto

     

    Pesquisa científica

    A Universidade Federal do Mato Grosso e entidades científicas como o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e o Centro Francês de Pesquisas Agropecuárias para o Desenvolvimento Internacional, entre outros, utilizam a fazenda como base para o desenvolvimento de dezenas de estudos que contribuem para a geração de conhecimento sobre a floresta/reflorestamento, biodiversidade e desenvolvimento sustentável.  

    Impacto social

    • Coleta sustentável de castanha

    Parceria com a Associação dos Coletores de Castanha do Brasil do Projeto de Assentamento Juruena. A entidade congrega cerca de 70 associados que praticam na fazenda São Nicolau e adjacências a coleta sustentável da castanha-do-pará para comercialização. Além de gerar renda para a comunidade, a prática os estimula a assumir a floresta como um importante ativo que precisa ser preservado. Assim, os coletores acabam atuando como guardiões que ajudam a impedir invasões, corte ilegal de madeira e incêndios criminosos.

    • Programa de Educação Ambiental

    Por ano, cerca de 100 crianças de escolas da região visitam a fazenda para experimentá-la como um laboratório para aprendizado leve, divertido e informativo sobre reflorestamento, importância da floresta, agroecologia e práticas sustentáveis. São conhecimentos que ajudam a desenvolver uma nova mentalidade nas crianças e que acabam influenciando suas famílias.

    Ecoturismo

    A fazenda está aberta para visitação, recebendo eco-turistas interessados em conhecer o projeto, observar e fotografar a natureza amazônica e a vida selvagem. A maioria são turistas estrangeiros. A atividade também é uma fonte de obtenção de recursos financeiros que ajudam a bancar o projeto.

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    Foto: ONF Brasil/divulgação 

      Passo a passo até o crédito de carbono

      O Projeto da Fazenda São Nicolau é certificado pela Verra, organização sem fins lucrativos que gerencia o principal programa voluntário de mercados de carbono do mundo, o Programa Verified Carbon Standard (VCS). A Verra é uma das certificadoras de compensação de carbono mais usadas e confiáveis. 

      • No processo de crescimento, as árvores capturam CO2.
      • Cada tonelada de CO2 sequestrada no reflorestamento gera um crédito de carbono.
      • O cálculo do volume de CO2 capturado é feito anualmente pela equipe da fazenda com base na metodologia VCS.
      • A cada 5 anos a fazenda passa por auditoria de uma empresa credenciada pela Verra, checando a quantificação e o cálculo do carbono capturado no período.
      • Os créditos de carbono certificados pela Verra são comercializados em plataforma eletrônica.
      • A empresa compradora incorpora os créditos adquiridos ao seu inventário de carbono. Quando a empresa utiliza o crédito adquirido para abater suas emissões, ocorre a chamada “aposentadoria do crédito”, formalizada em um documento. 
      • No caso da Rhodia, os créditos de carbono adquiridos são usados para neutralizar a pegada de carbono de produtos que se tornarão carbono neutro.